quarta-feira, 19 de janeiro de 2011
Duas idéias antagônicas : Vida e Morte
Creio que nunca consegui entender o porquê da morte.Sempre me preocupei com o que nos espera quando dermos o último suspiro.Alçaremos vôo e alcançaremos outras dimensões Deixando neste planete nosso cadáver?E lá haverá alguém nos esperando para nos orientar nessa passagem difícil ou ficaremos como André Luiz, personagem do filme Nosso Lar, à mercê daquela multidão de desencarnados semi nus, enlouquecidos, furiosos alguns,gritando, outros se agredindo, até que passado o tempo necessário para que alcancemos a misericórdia de Deus nos venham socorrer.
Cada religião procura explicar a seu modo o fenomeno da morte, mas nenhuma o faz com certeza e clareza apelando para a fé.
Há 33 anos sofri um acidente quando voltava de minha escolinha situada na zona rural da cidade de Terra Roxa, onde lecionei sete anos.O pneu do meu Volks estourou e o carrinho capotou e em seguida ficou de rodas para cima.Naquele instante, quando tentava desesperadamente dominar o veículo que parecia enlouquecido, pensei: Meu Deus agora eu vou morrer...Agora eu vou saber se há ou não uma vida após esta...
Mas quando tudo cessou, mesmo sem abrir os olhos perguntei à minha colega que viajava comigo:-Maria você se machucou?
Por milagre não nos machucamos gravemente , apenas hematomas e não fiquei sabendo de nada.Já se passaram 33 anos e continuo com minhas indagações sobre o porquê desse castigo que pesa sobre a humanidade, ter que morrer um dia, ter que enfrentar essa terrível realidade.
Deixar a família e tudo o que aprendemos a amar nesta vida e ir não se sabe para onde.
Apodrecer no cemitério? Ir para outras dimensões desconhecidas?Saber que a cidade que tanto amamos um dia contará com menos um habitante ( eu ) e que tudo continuará como se nada tivesse acontecido depois do velório e do sepultamento.
E a família, os filhos, os netos,terão que enfrentar o vazio de nossa casa abandonada, doar nossos pertences, as nossas roupas e apenas guardar na memória:
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